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EXPOSIÇÃO "CÓDIGO DO OLHAR", de Cassia Aresta
de 8 de novembro a 15 de dezembro de 2012

EXPOSIÇÃO "ETERNO ETERNO",
em homenagem ao fotógrafo Lauro D´Angelo -
8 de novembro

OS EVENTOS NA CASA DE CULTURA ROGÉRIO CARDOSO

Cumprindo com a missão que desenhamos para a Casa de Cultura Rogério Cardoso, de fazer um museu, um espaço cultural como acreditamos que deva ser: dinâmico, a fim de possibilitar um real diálogo com a comunidade, transformando-se numa instituição viva, atraente, com alcance direto à população, elaboramos uma programação que atinge ações museais dentro do modelo “moderno” da museologia, visando à interação da comunidade em suas atividades.

Chamamos esse projeto de ‘MEMÓRIAS” com a expectativa de que, através dos eventos disponibilizados à comunidade, a história de nossa cidade e seus moradores possa estar preservada, exposta e difundida, tornando assim um meio multiplicador onde todos terão a possibilidade de ampliar seus conhecimentos.

Neste momento, além das exposições de longa duração apresentadas desde a inauguração da Casa, com a exposição de parte das Coleções do Museu de Artes Plásticas Quirino da Silva e Museu Histórico e Pedagógico Marquês de Três Rios, mostramos as obras de Nerival Rodrigues, um artista que como ele, cria cenas do cotidiano simples e puro, como é o caso das colheitas de algodão e café realizadas pelo trabalhador rural, bastante significativas para a economia e desenvolvimento de nossa cidade.

Numa parceria bastante interessante e enriquecedora, para este evento em especial, provemos uma visita guiada pelo próprio artista e visitantes, onde tivemos presença significativa de professores da rede escolar municipal, resultando em visitas com alunos no decorrer do período de duração da exposição, acompanhados do corpo de monitores da Casa.


Como resultado desse conjunto de ações desenvolvidas pelo time da Casa, no campo do fazer museal, os artistas que aqui passaram e também visitantes, numa demonstração de confiança e credibilidade quanto ao processo de preservação e difusão da memória, fizeram doações de alguns exemplares de sua produção e ou acervo, enriquecendo nossas Coleções e não podendo deixar de registrar e apresentar essas preciosidades, inauguramos também, neste momento, uma parede com essas ‘NOVAS AQUISIÇÕES”, hoje com obras dos artistas: Maria Bonomi, Adélio Sarro e Nerival Rodrigues que com isso, assim esperamos, ampliar cada vez mais nosso patrimônio.

Heloisa M. P. de Abreu Meirelles
Coordenadora de Cultura
Casa de Cultura Rogério Cardoso

MOSTRA: A ARTE NAIF DE NERIVAL RODRIGUES — “SENSIBILIDADE À FLOR DA PELE.

Primeiro, ele faz o céu; depois, a terra; seus sulcos, as árvores, os frutos e, finalmente, os homens e mulheres que colhem aquilo que a natureza produz. Não se trata de uma parábola da Bíblia, mas da forma como o pintor Nerival Rodrigues realiza suas obras, principalmente plantações de produtos tipicamente nacionais, como café, abacaxi e cana, além de temas folclóricos e urbanos.
Nascido em Garanhuns, PE, em 1952, Rodrigues trabalhou na lavoura até os 16 anos e, desde os nove, na hora do almoço, embaixo de uma árvore, rabiscava com gravetos a terra que ajudava a sulcar. Mais tarde, passou essas imagens e experiências de infância para seus quadros.
No início dos anos 1960, emigrou, num pau-de-arara, para São Paulo, passando por diversas cidades do interior. Nesse período, a vocação de Rodrigues para o desenho foi se expandindo com uso de carvão e com caricaturas e o conhecimento de técnicas como guache e aquarela.
Em 1968, ao ver a destruição do bosque do Parque D. Pedro, Rodrigues pintou seu primeiro quadro a óleo. Recebeu os primeiros elogios e continuou suas pesquisas estéticas. Foi graças ao grande amigo e intelectual Hélio Ribeiro, que deu os primeiros passos para expor, em 1973, na Praça do República, onde ficou durante dois anos.
Entre 1971 e 1982, trabalhou como contínuo da IBM do Brasil, operador de limpeza de máquinas da NSK do Brasil e operador de draga da Companhia Suzano de Papel, abandonando este último emprego para se dedicar totalmente à sua arte. Mesmo quando enfrentou períodos de desemprego, não esmoreceu e trabalhou até como pedreiro, erguendo casas populares em Itaquera e Suzano e se orgulha de saber construí-las desde as fundações até o acabamento.
Embora tenha estudado apenas até o segundo ano do ensino médio, o artista pernambucano nunca parou de experimentar. Na década de 1990, teve sua maior conquista internacional até hoje. Após desenvolver diversos contatos, pintou, em 1995, o mural A liberdade questionada para o Centro de Estudos Gerais da Universidade Nacional de Costa Rica, fundada por intelectuais do porte de Paulo Freire e Darcy Ribeiro.
As cores vivas e a preservação da natureza são as marcas registradas de Nerival Rodrigues. O artista conserva nas mãos os calos de sua origem como trabalhador agrícola e pinta, em seus paraísos sertanejos, festas na roça, cenas caipiras e de colheita, uma visão paradisíaca do Brasil que todos gostaríamos de ver: frondoso, verdejante, rumo ao futuro que nos é constantemente negado.
Naïf nesse amor à natureza e às suas raízes populares e autodidatismo, Rodrigues mescla em suas obras simplicidade, modéstia e vibração. Ao ver como o artista pernambucano constrói seus quadros, fica evidente a sua visão de mundo. A força vital de sua arte brota da terra. A partir dela, consegue compreender o mundo e a multiplicação da vida. Os frutos que o solo oferece são a maior dádiva da arte, dom que não se ensina.
A arte viçosa, forte e alegre de Nerival Rodrigues surge espontânea, pois é desenvolvida com técnica aprimorada numa fusão entre talento, oriundo não se sabe de que segredos divinos, e a técnica aprendida com muita observação e autodidatismo. O resultado é um intenso diálogo entre o fazer e o pensar, num equilíbrio raro entre discussão racional do significado da arte e sensibilidade à flor da pele.

MOSTRA: NOVAS AQUISIÇÕES NO ACERVO DO MUSEU DE ARTES PLÁSTICAS QUIRINO DA SILVA

Esta exposição surge a partir do momento em que fomos privilegiados ao receber doações que muito enriquecem nossos acervos, que após a visita dos doadores onde foram apresentados ao PROJETO MEMÓRIAS, que desenhamos para a Casa de Cultura Rogério Cardoso, passando assim a acreditarem no trabalho da preservação que desenvolvemos como ação principal de nossa MISSÃO.




MARIA BONOMI
Maria Anna Olga Luiza Bonomi (Meina, Itália, 1935) é uma renomada artista plástica ítalo-brasileira.
Gravadora, escultora, pintora, muralista, curadora, figurinista, cenógrafa e professora, Maria Bonomi veio para o Brasil em 1946, fixando-se em São Paulo. É neta de Giuseppe Martinelli, construtor do primeiro arranha-céu da América Latina, o Edifício Martinelli, datado de 1929.
No início da década de 1950, estudou pintura e desenho com Yolanda Mohalyi e Karl Plattner (1919 - 1989). Em 1954, inicia-se na gravura, com Lívio Abramo.
Realizou sua primeira exposição individual em 1956, na cidade de São Paulo. No mesmo ano, recebe uma bolsa de estudos da Ingram-Merrill Foundation e estuda no Pratt Institute Graphics Center, em Nova York. Paralelamente, na Columbia University, estuda gravura e teoria da arte.
De volta ao Brasil, freqüenta a oficina de gravura em metal de Johnny Friedlaender (1912 - 1992), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ, em 1959.
Em 1960, em São Paulo, funda o Estúdio Gravura, com Lívio Abramo, de quem foi assistente até 1964.
A partir dos anos 1970, passa a dedicar-se também à escultura. Produz também grandes painéis para espaços públicos.
Em 1999, defende sua tese de doutorado Arte Pública. Sistema Expressivo/Anterioridade, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP.
A artista foi uma das personagens reais retratadas pelos autores Alcides Nogueira e Maria Adelaide Amaral na minissérie Um Só Coração, exibida em 2004 pela Rede Globo, tendo sido interpretada pela atriz Maria Luísa Mendonça.

Mostras
Maria Bonomi participou da 36ª Bienal de Veneza, 1972; da 2ª Bienal de Havana (Cuba), 1986; da 11ª Bienal Ibero Americana de Arte-Litografia del Fin de Siglo a 200 Años de su Invención, no Museo del Palacio de Bellas Artes na Cidade do México, 1998. No Brasil tem participado frequentemente de exposições em São Paulo e no Rio de Janeiro.


OBRAS DOADAS:
TÍTULO: S/T
DATA: S.D.
TÉCNICA: ESCULTURA EM ALUMÍNIO
DIMENSÕES: 34 X 46,5 X 1 CM

TÍTULO: EXPRESSÃO NOTURNA
DATA: 1994
TÉCNICA: ESCULTURA EM BRONZE
DIMENSÕES: 26 X 38 X 1 CM

 



ADÉLIO SARRO
Adélio Sarro Sobrinho (Andradina, 7 de setembro de 1950) é pintor, desenhista,escultor e muralista brasileiro.
Filho de agricultores de origem italiana e portuguesa, desde tenra idade demonstrou inclinação e gosto para o desenho. Acompanhou a família, sempre a procura de melhores condições de vida, por diversas cidades de São Paulo e Goiás. Chegando a Duartina, seu pai resolveu abandonar o trato da terra para assumir a profissão de pedreiro, tendo Adélio como ajudante. Quando tinha dezesseis anos, sua irmã casou-se e veio morar em São Caetano, trazendo logo em seguida para aquela cidade o restante da família. De início, pai e filho retomaram o ofício de pedreiro, mas Adélio Sarro tinha projetos mais ambiciosos. Nunca tinha deixado de lado seu rabiscos, porém tencionava conseguir muito mais. De início, um programador visual deu-lhe o emprego de letrista enquanto nas horas vagas frequentava as aulas de uma professora do Grande ABC. Assim começou a desenhar e a pintar seus quadrinhos que, reconhece, ainda estavam muito longe de qualquer ideal. Nessa época organizou sua primeira exposição no Centro de Convenções de São Bernardo. Apresentava paisagens que, embora achasse trabalhos fracos e sem importância, o público gostou e muitos trabalhos foram vendidos.
Brodowski e Portinari
Por uma casualidade,em 1972, viajou à pequena cidade paulista de Brodowski e lá tomou contato com a obra de Cândido Portinari. Ficou tão deslumbrado e fascinado com o que viu, que imediatamente decidiu seguir a carreira de pintor. Comprou livros sobre Portinari e começou a trabalhar copiando as obras do grande artista. No começo teve grande dificuldade. Fazia, refazia, destruia o mesmo trabalho. Queria chegar de qualquer maneira a um nível satisfatório. E, aos poucos, com grande esforço e tenacidade, conseguiu alcançar um nível de pintura que lhe agradava.
A Praça da República
Nessa época os novos artistas, que não tinham acesso às grandes galerias, só tinham como opção expor seus trabalhos nas feiras de domingo realizadas na Praça da República no centro de São Paulo. Não era o local mais ambicionado pelos pintores, mas lá ganhavam visibilidade, clientes - inclusive turistas estrangeiros, faziam amizade e trocavam experiências com outros artistas. E também alí surgiam oportunidades de novas exposições que Sarro soube bem aproveitar. Assim aconteceram, a partir de 1973, participações em mostras coletivas e individuais em São Paulo, Limeira, Piracicaba, Santos e mais outras dez cidades brasileiras.
Pintor internacional
Tornando-se cada vez mais conhecido e graças as amizades que ia formando, em 1981, Adélio Sarro foi convidado para organizar seis diferentes mostras no Japão. Era seu batismo como pintor internacional. Dois anos depois foi para a Itália e, nos anos seguintes, o Japão novamente, Uruguai, Argentina, França, Estados Unidos, Portugal, Nicarágua, Suíça, Alemanha, Bélgica, Noruega, Cingapura e Austrália.
Esculturas, painéis, monumentos, vitrais
Adélio Sarro não foi apenas um desenhista e pintor em telas. Ganhando notoriedade como artista e desenvolvento técnicas novas, pode atender encomendas de instituições públicas e privadas. A primeira instituição que lhe encomendou um trabalho de grande formato foi a Federação da Agricultura do Estado de Goiás para a qual, em 1984, Sarro pintou um painel de dois metros e meio por seis.

OBRA DOADA:

TÍTULO: EXPRESSÃO NOTURNA
DATA: 1969
TÉCNICA: O.S.T.
DIMENSÕES: 70 x 60 CM